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domingo, 15 de junho de 2014

A vida não é como a gente sonha

Não vai ser fácil esquecer tudo que você me disse naquele dia, por mais gentil que foi, fiquei magoada do mesmo jeito, talvez um pouquinho menos. Foram tantas explicações, satisfações e respostas que fiquei sem reação, e não consegui falar quase nada. Planejei tantas frases, uma melhor que a outra, só pra tentar explicar o que eu estava sentindo, ensaiei caras e bocas em frente ao espelho, escolhi uma roupa não muito normal e estava decidida, mas não o via em lugar algum, e meu plano maluco não fazia mais tanta diferença assim, como se eu já soubesse o que estava por vir. No fundo eu sabia. Só não queria acreditar.

Do nada, essa história virou uma bagunça, as coisas começavam a se encaixar, mas de uma forma dolorosa, eu não estava gostando nada daquilo e comecei a sentir uma raiva gigantesca, de você, de mim, dela, e de todo o resto. Me senti usada, e não aceitava de maneira alguma o fato de você ter mentido pra mim, afinal sempre fomos amigos, antes de tudo. Depois de muitos maus entendidos e desencontros, sentamos para conversar, confesso que congelei por inteira na sua primeira frase, porque aquilo era um adeus, e mais um pedaço de mim estava prestes a ser arrancado, como sempre.

A cada vez que me perguntava se tinha entendido e eu apenas assentia com a cabeça que sim, era porque não estava entendendo nada, eu não queria entender, e aquilo doía tanto que dava vontade de gritar e ao mesmo tempo chutar a sua cara. Nenhum sorriso ali era sinônimo de alegria, serviam apenas para esconder os sinais de um futuro choro, eu não conseguia nem olhar pra você e menos ainda falar sobre meus sentimentos, só queria sair logo dali, abraçar minhas amigas e chorar, mas pra piorar você ainda me pediu um abraço, deu vontade de te matar, apesar de querer muito te abraçar e não soltar, mas aquilo não era a atitude mais apropriada naquele instante. Neguei. Com o coração em pedaços. E sorri.

Então, era um adeus oficial, não voltaríamos a nos ver tão cedo a partir dali, você foi embora e eu chorei, não tanto quanto deveria, pois, a raiva era maior que a dor. Enxuguei minhas lágrimas, arrumei meu cabelo, sentei no banco mais próximo e bebi. Bebi todas as suas frases, palavra por palavra, num gole só. E o que me restava era esperar pela ressaca no dia seguinte e agradecer por mais essa lição, que me fez entender que a vida não é como a gente sonha. 

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