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segunda-feira, 25 de julho de 2016

E se eu apanhar o próximo trem?


  Eu tenho andado confusa, sem muitos motivos para fazer qualquer coisa, sem muita disposição e com o coração na mão. Já faz algum tempo que eu rasguei tudo que me fazia lembrar você, todas as cartas de amor escritas no meio da madrugada, e que nunca foram enviadas porque eu borrei todas com lágrimas. Todos os post-its que você deixava espalhados pelo meu apartamento com frases fofas e carinhas felizes, eu rasguei. Os presentes, coloquei todos dentro de uma caixa grande e lacrei, pensei em jogar fora, doar, sei lá, qualquer coisa que a fizesse  ficar longe do meu campo de visão, mas ao invés disso, eu coloquei no em uma prateleira alta la no meu closet. E eu ainda vou olhar pra ela. 

  Sabe aquelas fotos que tiramos no ultimo verão juntos? Eu queimei todas. Nossa! Que mentira. Elas estão guardadas naquele baú florido que você me deu no nosso primeiro mês de namoro e disse "Pra você guardar as melhores e mais lindas lembranças de nós." E eu guardei. No baú, e em mim. Por isso não queimei, porque não ia adiantar esvaziar um baú e meu corpo inteiro ainda transbordar com essas lembranças. No meio dessas fotos, tem aquela onde eu estou sentada no banco da estação, a gente ia lá só pra ver o trem passar, e ficar tentando adivinhar qual era o destino de cada passageiro. A gente era feliz fazendo coisas simples. A gente era feliz. Na verdade, eu era. Pra você, aquilo não foi suficiente. 

As pessoas fazem coisas que muitas vezes não tem explicação, ou simplesmente não vale a pena. Num dia nós estávamos num banco de estação e no outro eu batia a porta na sua cara. Olhando essa foto, eu sinto o vento no meu rosto e meu corpo inteiro me faz querer sair e ir em direção á estação, e falta muito pouco para eu sair por aquela porta. E se eu apanhar o próximo trem? Mesmo sem saber para onde ele vai. Eu posso perder o rumo, parar em uma estação qualquer, de uma cidadezinha qualquer. Eu falo sério, e você mesmo não acreditando, pode me perder de vez. Você vai chegar a tempo de me impedir, ou você nem ao menos vai chegar? 

O trem passa ás 18h, e eu não sei quando é que ele volta. Eu não sei quando é que eu volto. Eu não sei... não sei se vale a pena voltar, digo... voltar a estar com você, voltar a sentar naquele banco com você. Eu não sei... mas, e se eu realmente apanhar aquele trem? Você vai ficar se perguntando qual foi o meu destino enquanto fotografa outro rosto, em algum outro banco ou vai me ligar e depois comprar uma passagem?

O que é que vai acontecer se eu apanhar o próximo trem? 



 



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